“Políticos que recorrem a esse ardil para se eleger utilizam a imagem de negros, indígenas, mulheres, homens e outros grupos sociais. No fim, acabam por difundir discursos que alimentam o racismo, fragilizam a família e ampliam a violência por meio de leis consideradas discriminatórias.”

A Lei Maria da Penha é reconhecida como uma conquista histórica no enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher. Criada para garantir proteção rápida e efetiva, tornou-se referência mundial. No entanto, especialistas alertam para a necessidade de equilibrar sua aplicação com as garantias fundamentais asseguradas pela Constituição, como o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência.

Na prática, cresce a discussão sobre o peso atribuído à palavra da vítima nos processos. Enquanto medidas protetivas exigem respostas urgentes e podem se basear em relatos iniciais, juristas apontam que essa lógica não pode ser transportada de forma automática para o processo penal, onde se decide sobre culpa e liberdade. O risco, segundo análises, é transformar a proteção cautelar em antecipação de condenação.

Pesquisadores e advogados destacam que a versão do acusado muitas vezes é tratada como mera formalidade, sem influência real no julgamento. Essa postura, afirmam, pode gerar uma presunção informal de culpa, invertendo a lógica de que o ônus da prova cabe à acusação. Para eles, a palavra da vítima deve ser considerada relevante, mas não infalível, sendo necessário confrontá-la com outros elementos de prova.

O debate envolve ainda a aplicação da perspectiva de gênero nos julgamentos. Embora essencial para evitar estereótipos contra mulheres, especialistas defendem que esse protocolo não pode enfraquecer direitos fundamentais do acusado. A discussão segue viva nos tribunais e na sociedade, reforçando que justiça democrática exige proteção às vítimas sem silenciar a defesa.

Nota editorial: Este veículo de comunicação reafirma seu compromisso com o contraditório, a ampla defesa, a presunção de inocência e o direito de resposta de todos os citados.

 Imagem reprodução.