Funerárias no hospital: coincidência ou algo a esclarecer?
Uma situação, no mínimo, curiosa está chamando a atenção de quem circula nos fins de semana pelos fundos do hospital de Valença: a presença recorrente de veículos de três funerárias nas proximidades da unidade. Coincidência, rotina operacional ou existe alguma explicação que precisa ser apresentada à população? A pergunta chegou à redação acompanhada de um relato considerado grave por um colaborador, que pediu sigilo por temer possíveis represálias.
Segundo o relato, um paciente idoso teria falecido após uma noite de internação. O acompanhante, irmão do paciente, afirma que precisou se afastar por alguns momentos devido ao cansaço e, ao retornar, teria encontrado a máscara de respiração fora do lugar e sangue na bolsa coletora de urina. Ainda conforme o depoimento, um médico teria sido procurado e informado que a situação seria normal. Pouco depois, o paciente teria aberto os olhos pela última vez e falecido. São circunstâncias que precisam ser esclarecidas tecnicamente, inclusive mediante análise do prontuário e dos procedimentos adotados pela equipe.
Mas há outro ponto que merece investigação. Conforme o relato recebido pela reportagem, logo após a morte o familiar teria sido abordado por um funcionário, que lhe ofereceu serviços de uma funerária. Posteriormente, durante os preparativos para o sepultamento, o parente afirma ter presenciado uma discussão entre representantes de duas funerárias interessadas na prestação do serviço. A reportagem não afirma que exista qualquer vínculo irregular entre esses episódios e a presença dos veículos, mas considera legítimo perguntar: por que tantas funerárias circulam ou permanecem nas proximidades da unidade e como ocorre a abordagem de familiares em um momento de extrema fragilidade?
Também precisam ser esclarecidos os questionamentos sobre a qualificação e o vínculo dos profissionais que atuam na unidade, informação que deve ser oficialmente confirmada pelo hospital e pelos órgãos competentes. A reportagem buscará respostas para os pontos levantados, inclusive sobre protocolos de atendimento, registros no prontuário, atuação dos profissionais e eventual relação entre funcionários e empresas funerárias. Os envolvidos e demais citados terão assegurados o direito de resposta, o contraditório e a ampla defesa.


