Em 4 de outubro, o eleitor brasileiro irá às urnas em meio a uma polarização que transformou a disputa política em uma espécie de guerra permanente. De um lado, um campo; do outro, o adversário. E, no meio dessa batalha, ficam propostas, problemas reais e uma parcela do eleitorado que não se identifica com nenhum dos extremos. A política passa a girar mais em torno de quem atacar do que de como governar.
A polarização cobra um preço alto do debate público. Quanto mais os grupos políticos transformam o adversário em inimigo, menos espaço sobra para discutir saúde, segurança, educação, impostos, emprego, infraestrutura e combate ao desperdício de recursos. Até relações entre homens e mulheres entram nessa disputa, quando determinados discursos políticos apresentam os dois sexos como grupos em permanente confronto, alimentando ressentimento e divisão social em vez de apresentar políticas públicas capazes de atender à população como um todo.
É justamente aí que a chamada terceira opção entra em cena. Não necessariamente como uma solução automática, mas como uma alternativa ao discurso de que só existem dois lados possíveis. O problema é que candidaturas fora dos grandes polos precisam disputar espaço em um ambiente no qual a atenção pública é frequentemente absorvida pelo confronto. Quanto mais a eleição se transforma em Fla-Flu político, mais difícil fica para o cidadão enxergar quem está apresentando projeto e quem está apenas explorando a rejeição ao adversário — seja por ideologia, por identidade ou pela divisão entre homens e mulheres.
E há uma pergunta que precisa ser feita sem medo: quem realmente ganha quando a sociedade permanece dividida? Enquanto eleitores discutem, brigam e defendem políticos como se defendessem clubes, o debate sobre resultados pode desaparecer. Depois da urna, porém, o discurso não governa, a propaganda não entrega obra e a guerra entre grupos não resolve fila de hospital, violência, desemprego ou imposto. O cidadão vota para escolher representantes, não para ser transformado em soldado de uma batalha política interminável. Os envolvidos e demais citados terão assegurados o direito de resposta, o contraditório e a ampla defesa.
Reportagem do Jornalista Bira Ninja.


