Na última sessão da Câmara, o vereador Benvindo da Saúde subiu à tribuna com um discurso que parecia emocionante: falou da casa de apoio em Salvador, lembrou dos pacientes de oncologia e do sofrimento de quem precisa viajar para tratamento. Até aí, tudo justo.
O problema começa quando a fala vira ataque à Policlínica. O vereador disse que “não funciona”, que há mais de um ano tem equipamento quebrado e que não atende a população. Mas logo depois revelou que consegue exames por fora, aciona contatos em Salvador e resolve casos com rapidez — claro, “com custo”.
Eis a contradição: critica o sistema público, mas mostra que depende de um modelo paralelo, onde atendimento não é direito, é favor. É o velho assistencialismo político: quanto mais falha o sistema, mais espaço ganha o “resolvedor”.
A Policlínica, mesmo com falhas que devem ser cobradas, tem objetivo claro: organizar o acesso à saúde e reduzir a dependência de intermediários. Talvez seja justamente isso que incomoda.
No fim, o vereador acerta ao cobrar melhorias, mas escorrega ao transformar a dor do povo em palco para reforçar um modelo onde a dificuldade vira moeda política. E quem continua correndo atrás de exame e dignidade… é sempre o povo.
Imagem: Blog do Pelegrini.



